Radio Jovem Pop

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

                              O mundo sem Mandela
O líder africano Nelson Mandela, um mito já em vida, entra para a história e inspira gerações em todo o planeta com a sua mensagem de convivência harmônica entre as raças e de liberdade, acima de tudo, como valor inegociável da existência humana .
Em Ahmedabad, na Índia, estudantes de uma escola primária seguram velas e pagam tributo ao homem que, bem longe delas, em outro continente, ensinou os valores da igualdade racial e da luta pacífica por um ideal. Elas levarão essa mensagem pelo resto de suas vidas .
A vida extraordinária de Nelson Mandela, o gigante moral que destruiu o apartheid na África do Sul, suscitou na semana passada um fenômeno digno de sua trajetória. Pouco tempo depois das 20h50 da quinta-feira 5, em Johannesburgo, horário declarado da morte de Mandela, vozes se ergueram no mundo inteiro. Quem, a não ser Madiba – nome tribal pelo qual é chamado pelos sul-africanos –, seria capaz de provocar pesar entre negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, reacionários e rebeldes, poderosos e cidadãos comuns? Quem, a não ser ele, poderia ser admirado por tanta gente? No amanhecer da sexta-feira 6, centenas de alunos de uma escola de Ahmedabad, na Índia, acenderam velas em homenagem ao líder. A linda imagem parece evocar o espírito pacífico de Mandela, um revolucionário que transformou seu país sem derramar uma única gota de sangue. No mesmo dia, moradores do Brooklyn, em Nova York, dirigiram-se ao restaurante Madiba e, de lá, lançaram balões brancos ao ar. Também na sexta-feira, os franceses penduraram um banner gigante, com o retrato de Mandela, em um prédio do governo, no coração de Paris. Reverências como essas se repetiram na Austrália, no Japão, na Alemanha, nas Ilhas Fiji, na Rússia, no México – no mundo inteiro. Mandela mudou o destino de milhões com sua resistência obstinada contra o regime de segregação .
Apesar de a morte de Mandela ser esperada há pelo menos cinco meses, desde que adoeceu gravemente vítima de infecção pulmonar, os sul-africanos parecem ter entrado em uma espécie de catarse coletiva. Nas ruas de Johannesburgo, milhares de pessoas saíram em procissão. Em Soweto, onde Mandela viveu nos anos anteriores à sua prisão e onde se instalou depois de ganhar a liberdade, multidões dançaram ao ritmo de canções tradicionais africanas. O funeral de Mandela deve ser um dos mais longos e espetaculares de todos os tempos. O governo anunciou que as homenagens vão durar dez dias. Estima-se que mais de 50 chefes de Estado devam comparecer ao sepultamento. Nada mais justo para um ícone que mudou seu País – e o mundo – para sempre.


Paulo henrique

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